Após assistir a sessão do STF que rejeitou a denúncia contra o ex Ministro da Fazenda Antonio Palocci por cinco votos contra quatro, eu estou me sentindo um completo ignorante em matéria penal.

O voto do Ministro Gilmar Mendes não avaliou se estavam presentes as condições para o recebimento da Denúncia. Ele “julgou” Antonio Palocci e o absolveu. Por essa linha de raciocínio, o ex presidente da Caixa Econômica Federal Jorge Matoso, o “mordomo” do caso, já é um condenado, não aceite a proposta de suspensão do processo.

Do jeito que o STF analisou o caso, somente com a confissão escrita, com assinatura reconhecida em cartório, o Palocci seria denunciado.

Bem andou o Ministro Carlos Ayres Britto que evocou Ulysses Guimarães (rendendo homenagens a “Sua Excelência o fato”) e lembrou que, nessa fase do processo, bastam os indícios.

“Se precisássemos de provas robustas nesse momento, já teríamos a certeza da condenação dos indiciados. Os indícios me convencem de que a denúncia se impõe como peça robusta, suficiente para a abertura da ação penal”, afirmou o Ministro Ayres Brito.

Dos cinco Ministros que acompanharam Gilmar Mendes, causou-me surpresa o voto da Ministra Ellen Gracie. Sempre legalista,  a Ministra mostrou que dessa vez optou pela acomodação política.

Como bem já disse o Ministro Nelson Hungria, o único privilégio que o Supremo ´Tribunal Federal tem é o de errar por último.

Atualizado em 29/08 .  Frase dita pelo jurista Luis Flavío Gomes e que traduz bem ã situação: “É questão clara de status: 99,9% dos brasileiros na situação do ex-ministro [Palocci] seriam réus a essa altura”

8 Respostas para “Voto político”

  1. Lucas de Alencar diz:

    É Zamith, apesar de todo o contorcionismo jurídico do Agiumal Mendes para mascarar sua clara intenção de absolver o Palocci.
    Me pergunto, será que ele frequentava a tal mansão aqui em Brasília?
    Mais uma vez o Judiciário, por meio de seu órgão máximo, perdeu uma grande oportunidade de mostrar aos brasileiros que algumas instituições funcionam.
    Esse cuspe na cara de todos nós, vindo de Agiumal Mendes e todos os outros que se omitiram, é uma clara demonstração de que, no Brasil, ser um bandido engravatado vale muito a pena.
    Pra falar a verdade, não tem pena alguma.

    “Nossa justiça é absurda, além e abcega e abmuda.” Carlito Maia

  2. Gabriel diz:

    Qual é a surpresa, dr.??? Lá (Brasília) e cá (Amazonas) prevalece o dito popular: “Quem for podre q/ se quebre!”. A absolvição do corrupto Palocci eu (sinceramente) já esperava. Ressalto q/ isso não quer dizer q/ me acomodei ou q/ aceito isso, pelo contrário, acredito que o “mordomo” da vez e outros q/ virão em algum momento, em algum lugar provarão o sabor da justiça! É o que espero!

  3. Marcelo Augusto diz:

    A ministra Ellen Gracie não me surpreendeu com a sua decisão. Foi, mais uma vez, o voto governista.

  4. Marcelo Augusto diz:

    Complemantando:

    Duvido que essa incursão no mérito teria ocorrido se o denunciado fosse um cidadão comum. Ao cidadão comum o STF teria julgado com todos os rigores legais e teria recebido a denúncia.

  5. Carlos Zamith Junior diz:

    Professor Marcelinho, eu sabia que ela “governo”, mas do FHC… rs.

    Abraços.

  6. Átila Affonso diz:

    Essa é só uma palhinha do STF, será que a sua moral está apta para questionar o TJAM.

  7. Diego Carmo diz:

    Se eu estivesse lá levantaria uma placa: “Galvão, eu já sabia”.

  8. jose diz:

    Ola, Dr.

    Esse ministro foi feita na cocha.

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