A Revista Piauí que está nas bancas, publicou interessante matéria com um inglês chamado Kennet Colgan. Viajado, ele já percorreu pelo menos trinta países mundo afora. Da Austrália a Burkina Faso, do Japão ao Haiti. Domina domina quatro idiomas (grego, espanhol, francês e italiano), além do inglês. Agora em janeiro, Colgan, de 49 anos, fez sua quarta expedição ao Brasil para um primeiro batismo de Amazônia. As coisas nem sempre transcorreram conforme o imaginado, como ele relata no seu diário, transcrito abaixo.
“O site da cadeia hoteleira Accor garante que o Mercure (que em Manaus se pronuncia mercury, naturalmente) fica no “centro de Manaus”, o que é uma mentira deslavada. Manaus é muito mais quente e abafada do que São Paulo e, ao contrário da capital paulista, onde esse quesito é impecával, as placas com nomes de ruas são erráticas: não adianta saber que temos que virar à esquerda na rua São Luis se não sabemos que acabamos de passar por ela.
Chego ao centro de Manaus. A área do porto parece um imenso mercadão onde são vendidos artigos não-turistícos que as pessoas parecem querer: dvds piratadas, roupas horrorosas e a lingerie menos erótica que já vi na vida. As calçadas estão tomadas por camelôs. os mais espertos montam suas barracas bem póximas às entradas das lojas para pegar carona no ar-condicionado. Os vendedores anunciam seus produtos aos gritos, às vezes com megafones e o lugar transmite uma energia forte. Manaus tem a reputação de ser muito segura e é isso que sinto aqui.
Decido conferir o famoso Teatro Amazonas, a ópera que fiquei conhecendo em um planfleto encontrado na biblioteca de minha cidade natal, Solihull, quando tinha 14 anos: um achado que despertou meu fascínio pelo Brasil. A princípio achei o Teatro um tanto decepcionante, pois não perecia em nada com uma casa de ópera. Descobri logo a razão: eu estava olhando para o Tribunal de Justiça, no lado oposto da rua. A ópera propriamente dita é maravilhosa, de construção condizente com o tempo em que Manaus era uma das cidades mais ricas do mundo e seus moradores mandavam lavar suas roupas em Lisboa. A cúpula, com suas 36 mil pastilhas verdes e amarelas formando bandeiras brasileiras é impressionante.
Depois de tanta cultura, acho que mereço um sorvete, algo que deve ser divino em Manaus. Chego a uma sorveteria chamada Glacial - recomendada pelo guia de viagem Footprint - situada ao lado de um ponto de táxi, o que é sempre de bom augúrio. Decido me certificar de que a casa tem troco para minha nota de 100 Reais. Dirijo-me ao caixa.
Moça: Oi (Cumprimento brasileiro padrão. Ótimo)
Ken: Oi. Só tenho uma nota de 100. Tudo bem?
Moça: Oi? (Com ponto de interrogação significa ‘como?”)
A sorveteria é self-service, um marketing esperto, pois as pessoas sempre pegam mais coisas quando estão se servindo. Eu também me empolgo um pouco e pego brigadeiro, milho verde, açaí, uma fruta amazônica chamada cupuaçu (gosto bem interessante) e outros sabores dos quais não me lembro. Na saída, não há mais taxis no ponto e decido voltar a pé ao hotel. Apesar da bela vista que oferece de Manaus, a piscina na cobertura do hotel é só um pouco mais larga que a banheira lá de casa. Na sala de ginástica, nenhum dos aparelhos está ligado e a sauna passa por uma reforma. Por que alguem iria querer se enfiar numa sauna em Manaus é um mistério para mim”.
A matéria é bastante extensa. Noutro dia eu publico o relato de Colgan falando sobre o Hotel Tropical.

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Julho 30th, 2009 às 12:46 pm
Se o Hotel tem sauna (em reforma…), provavelmente também tem uma lareira para deixaros hóspedes mais confortáveis…. Só no Brasil essas coisas….
Julho 30th, 2009 às 5:30 pm
Eu nunca li tanta verdade!!! É um “retrato” fiel da realidade manaura!!!
Julho 31st, 2009 às 9:55 am
Não é à toa que os cabôcos daqui não se perdem quando vão para outras cidades. Quem não se perde no meio da selva, vai se perder onde está cheio de placa?
Por outro lado, esse gringo anda reclamando demais pra quem eu esperava que já tivesse todo tipo de experiência. Começa reclamando do site do hotel, que depende mais da ‘confiável’ rede hoteleira do que da cidade.
Ô Colgate, deixa de ser pão-duro e compra um GPS. Se tem sauna no hotel, é provavelmente outro golpe marketeiro: pra impressionar caras de fora como você que não conhecem o hotel e acham que quanto mais recursos ele tiver, melhor ele é (ainda que ninguém use).
Julho 31st, 2009 às 10:05 am
Wagner, vamos levar no bom humor o relato do inglês.
Olha que ele está sendo bonzinho ao não reclamar da sujeira e do fedor de urina que impera no centro da cidade.
Abraços.
Julho 31st, 2009 às 9:06 pm
Ninguém gosta de ler a verdade. O inglês não mentiu. Esse cara foi extremamente generoso. Só fato de ele não falar sobre a falta de educação dos motoristas de Manaus, ele já merece um abraço. Esse inglês é tão bonzinho.
Agosto 2nd, 2009 às 10:00 pm
[…] Aqui, a primeira parte do diário do Ken. […]